segunda-feira, 9 de julho de 2012

Externação




Os olhos não são azuis.
Eles estão abertos e tapados.
Os punhos são fortes e cerrados.

Um líquido viscoso é injetado.
A moça resiste, o cão assiste, o braço treme.
Ela escorre ao chão, lavado de lágrimas.

O pensamento estremece, esquece. Quem é?
As vozes se calam, a boca emudece.
O cão que assiste, some, desaparece.

O vazio enlouquece, a alma d’agora estancada.
O carrasco esconde a arma esterilizada.
Talvez não tenha acontecido nada.

Os olhos não são azuis.
Os punhos continuam fortes.
O corpo em posição de morte.
A alma imobilizada.


R.Rosa