sexta-feira, 1 de julho de 2011

Óculos de prata
O meu óculos do coração, partido ao meio... Metade pra ela e metade pra ela.
Pronto resolvido! Estava tudo dividido, elas e o óculos.
Um olhar para cada... Um sentimento de facada, dor, dúvida... Coisa de jovem! (diria seu Euzébio).
Um quase e despercebido corte se ensaiava no elo materno. Mas eram jovens! Não era a velha e o menino... Como consertar depois, o que já nascera errado.
Um óculos, partido ao meio... Olhares divididos...
Caos e olhos fechados.

R.Rosa

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Andares

Ando em círculo ando circulando.
Ando e vago ando vagando.
Ando em grupo ando em bando.
Ando passivo ando e não mando.
Às vezes ando, estou parando.

R.Rosa

sábado, 18 de junho de 2011

Erva do diabo
Onde há fumaça, há Combi! Sim.
O motorista acreditava estar levando porcos. E não era só efeito da erva, era o efeito da massa, da galera...Vamô que não dá nada!
Na curva da rua, a dúvida do escuro... Sim na noite poucos se responsabilizam, omite-se o culpado, ninguém o vê.
Não pode ser grama molhada... Não pegaria fogo!
Um pequeno ponto luminoso circula entre os dedos jovens e da mão catequizada vem à iniciativa. O ponto! A partida!
Fuma aí e espera... Um índio chamado Dom Juan irá lhe chamar.

R.Rosa

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Encontro

Trancado no eu,
No banheiro,
No útero materno.
Afastando-se
Para sempre
Do mundo externo.
Guardava em si,
O silêncio de
Um buraco fechado.
O impulso do pulso
Um tio! Um tiro!
No chão foi encontrado.

R. Rosa

sexta-feira, 27 de maio de 2011

O castigo do crime

Do crime da saia jeans e blusa vermelha, poucos sabem...
Talvez só eu... Talvez...
Vez eu e minha culpa!
Certo que muitos assistiram... E como não?
Meu primeiro assassinato moral importante.
Lembro do telefone azul que em surdina recebia informações...
O meu segredo era a tortura, a saia um caminho, uma aventura para minhas mãos...
Acreditava saber o que estava fazendo, passava a mão trêmula pelo corpo magro... de baixo para cima...até as costas...sentia o vermelho da blusa escorrendo no meu pulso...
O sangue seco, e o lábio molhado.


R.Rosa

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Fuga

Corro do corpo em movimento.
Corro até sentir o soprar do vento.
Corro ou sou atropelado pelo tempo.
Corro ou morro.
Socorro! Socorro!

R.Rosa